Pro Street
Na mala de viagens do papai, enterrado em meio às roupas, havia uma caixa especial. O velocímetro ilustra a capa entre imagens e palavras ainda confusas. No entanto, aquele pequeno grupo de palavras tornou-se, pouco a pouco, o significado de minha alegria imediata: Need For Speed.
Rapidamente, a série espalhou-se pelo mundo: ameaça concreta ao reinado de Test Drive com breves momentos de fama em terras brasileiras. A versão Underground, ao se aproveitar do sucesso no cinema de “Velozes e Furiosos”, trouxe a popularidade após algum tempo. Um efeito desvastador no coração de antigos fãs.
Para alguns, como este que aqui os escreve, Need For Speed atingiria seu apogeu em 2002, com o título Hot Pursuit 2, continuação da aclamada série policial. Assim como Ronaldo, ao final da copa, seria coroado com seus dois gols, a Electronic Arts marcaria um de seus grandes golaços com HP2. Assim como a saída de Felipão e a descida da seleção a tempos obscuros, a Electronic Ars também mexeria em seu time, mesmo enquanto ganhava a partida. O tuning invadiu Need For Speed, ainda com as enormes possibilidades de um novo Hot Pursuit, e a série perderia-se na escuridão de Underground.
Apesar do retorno policial em Most Wanted, Need For Speed nunca mais seria o jogo que encantava por seus cenários pitorescos e carros, principalmente Ferraris, que não aparecem na série desde HP2, e Lamborghinis.

Need For Speed: ProStreet reformula tudo que caracterizava as versões anteriores. Ao contrário dos carros de “plástico”, o jogo traz um sistema de danos totalmente renovado e que não fica atrás dos simuladores RACE ou GTR. Ainda há ajudas opcionais, características dos grandes simuladores, como controle de tração e freios ABS. Entretanto, como simulador anunciado pela Electronic Arts, as semelhanças param antes da primeira volta.
Ao ser instalado, o jogador, geralmente, deseja fazer uma “Quick Race”, como o primeiro contato com o jogo. Surpreendentemente, o modo fundamental em qualquer jogo de corrida é totalmente inexistente. O modo online “Quick Macth”, se caracteriza como um dos piores de toda a série.
Se as opções são limitadas, o jogador se encontra pressionado a iniciar sua Carreira, modo que, atualmente, prende a atenção dos jogadores. Posso me lembrar vagamente da versão High Stakes, onde raramente jogava o modo Carreira, pelas inúmeras opções de cenários e carros disponíveis.
A primeira decepção acontece no menu Carreira que se mostra confuso e exige diversos cliques até o início das corridas. O mapa se mostra complicado, exigindo certo tempo para que o jogador entenda as raízes e subdivisões após cada etapa. O modo baseia-se em Race Days, onde o jogador deve completar certo número de pontos para “Dominar o dia” e, consequentemente, avançar no jogo.

Com as vitórias, é possível comprar novas máquinas e customizar seus carros, desta forma, o ProStreet se destaca em relação a outros jogos. É possível posicionar adesivos, ajustar tamanho de partes aerodinâmicas auxiliado pelo “Túnel de vento”, e instalar novas peças esculpidas pelo jogador, como rodas e capôs. Com tantas possibilidades, o jogador logo percebe que se torna mais vantajoso equipar um único carro a comprar outros, mesmo que dinheiro e disposição não faltem. Quanto aos carros, estão incluídos na lista a luxuosa BMW M3 E90 e a esportividade do Porsche 911, passando por outras marcas como Audi, Ford, Shelby, Pagani e Lamborghini.
ProStreet exige que o jogador possua um carro para cada modo de jogo. São eles: Grip, a corrida tradicional, Drag, a famosa arrancada, Drift, a competição de derrapagens, com vísiveis melhoras em relação às versões anteriores, Speed Challenge, que consiste em passar em radares na maior velocidade possível e Time Attack, que desta vez, inclui outros carros na pista. Ainda há algumas subdivisões dentro dessas categorias que criam alguns modos interessantes, como Grip Sector Shootout e sua contagem de pontos que consiste em quebrar os recordes em cada setor da pista com a maior pontuação possível.
Enfim, chegamos ao grid de largada. Os gráficos continuam brilhantes, em ambos os sentidos, como o esperado. O jogo oferece três níveis de condução, sendo o terceiro, sem ajudas do computador, o mais aguardado pelos jogadores. As batidas acontecem em curvas mais disputadas e ataques de outros carros. É visível o excelente trabalho feito nos danos dos veículos, destruídos parte por parte, como capôs e pára-choques. Em carros mais rápidos, a instalação do controle de tração torna-se fundamental. No geral, Need For Speed ainda é um jogo de velocidade intensa e curvas a 180km/h, entretanto, passa a exigir do jogador uma pequena dosagem em certos momentos, principalmente conhecendo o preço que se paga por cada conserto, se já não restam consertos pagos, uma espécie de seguro. 
Desde Underground, a Electronic Arts parece ter esquecido o modo “Replay”, fundamental em jogos do gênero. A falta da ferramenta tira o prazer do jogador de rever aquela ultrapassagem na última curva ou as batidas, que estão como ditas anteriormente, dignas dos melhores simuladores.
Entre todas as decepções, o modo On-line consegue ser a maior. Se por um lado o maior concorrente, Test Drive, traz um dos melhores modos On-line em jogos de corrida, Need For Speed não se sustenta quando o assunto é multiplayer. Apesar da possibilidade de criação de seu próprio Race Day, não existe a escolha de salas. O jogo redireciona o jogador a uma sala qualquer, tornando extremamente difícil combinar o encontro entre dois jogadores. Como se salvasse o pouco que resta, é possível compartilhar seus carros com amigos no jogo e comparar sua pontuação em cada Race Day.
Conclusão
Infelizmente, mesmo com a tentativa da EA de criar alguns diferentes cenários, como highways americanas e ruas japonesas, ProStreet pode ser encarado como um pequeno facho de luz na série. Por enquanto, o jogo se transforma em uma simulação precária, quase apenas coméstica, que tenta, sem sucesso, esconder os vestígios Arcade. A questão permanece entre o jogo que, um dia, nos roubou tardes inteiras com nossos primos e amigos, a desviar das peripércias das viaturas policiais, ou um simulador que pode ser divertido em alguns momentos, mas que acaba caindo nas falhas de seus antecessores.